domingo, 30 de setembro de 2012

Highway.



Sei que a melodia doce, por toda minha eternidade irá me despertar para o desejo de tirar o ponto que impede que as coisas findas se tornem infindas.
Sei que esquinas que me tomam numa nostalgia total existirão para sempre, mesmo que seus concretos se corroam com o tempo.  E a vontade de sempre voltar atrás, de sempre ser companhia/acompanhada, de viver uma solidão momentânea e construtiva, sempre vão ser vestimentas permanentes d’alma.
Tentar impedir, fugir, evitar ou enterrar isso, é o mesmo que negar que se vive.
Isso faz parte, tudo está grudado na carne humana.
 Alma e corpo não se separam.
Navegar sem afundar é uma efêmera ilusão. Passageira, e só.
Permanência não existe. O que existe é um fim, que pode ser rápido, tão rápido que hoje se vive e amanhã se morre. Ou pode ser lento, pode ser uma caminhada, onde no final, se tem a sensação de ter se permitido ser tudo o que quisera ser!
Aqui, tudo é um pôr de Sol. Amanhã tudo volta amanhecido num emaranhado diferente, a única certeza é de que mais um pôr de Sol virá pra dar vida aos ventos de mudança mais uma vez. 

Imediatismo



Quando minha consciência aflorou 
Como parte vivente nesse mundo,
Muitas contradições foram 
Abusadamente distribuídas à ela!
E a necessidade de ser um “eu”
 certo para com minha essência, também.
Às vezes me viro tudo do avesso, 
De ponta cabeça e chacoalho,
Tirando tudo ao máximo!
Migalhas, grandes pedaços,
Insignificâncias ou indispensabilidades.
É uma fração de segundos o suficiente
Pra te tirar de centro, do teu centro.
E pra voltar, se leva muito tempo.
Talvez seja até necessário 
Esperar o nascer de uma 
Nova consciência!

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Yeah, you bleed just to Know you're live!




Será, o reconhecimento de nossos erros, culpa da chuva?
E o arrependimento, será ele trazido pelo vento?
E quando a chuva cai, todas as nossas certezas caem por terra também?

Será que só a música é capaz de nos causar nostalgia
Ou será que o silêncio mata mais?
É que a gratidão por conhecer semelhantes medos
Ajuda ao se decidir entre ir ou desistir

E no silêncio, bom
O que resta é silêncio e consciência, mais nada.
E a consciência, que vibora de fome incessante essa!
Nos mastiga inteiro pela vida toda
E nunca se satisfaz.
Apenas cresce, e cresce a sua fome.

E a gente?
Bom, a gente morre, a gente se mata 
Pra satisfazer essa fome.
Nos reduzindo a pó
A nada

E assim vamos nos sentindo a vida toda:
NADA
E uma hora isso acaba?
Sim, quando não tivermos mais forças
Pra satisfazer essa fome.
Ai a consciência morre, vazia.
E sem consciência viva
Não se pode ter uma carne viva!

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

To a place I recall...



Em uma noite dessas
Em que a solidão desce as escadas 
vestindo seu melhor traje de gala
Te puxa pelos braços
E te embala numa dança aparentemente sem fim.
Em uma noite dessas seus olhos enlouquecem 
sobre uma lua quase invisível
E sua boca se fecha diante da fúria dos ventos.

sábado, 18 de agosto de 2012

Dust In the Wind.



"Com a boca seca, consequência de ter ficado por tanto tempo contra o vento de olhos fechados, falar agora machuca. Então prefiro continuar lá, parada, deixando o vento bater em mim com suas rajadas pesadas, cheias de tantas vidas. Se eu conseguir absolver tudo o que esse vento carrega, talvez eu chegue a ser tão maravilhosamente instável quanto ele."

terça-feira, 24 de julho de 2012

Hell



Observando pessoas irem, virem, não voltarem.
Pessoas invulgares, censuradas pelos desejos,
por aqueles que fazem delas seres que convivem em sociedade ... Censuradas por elas mesmas. Chegou perto de se satisfazer plenamente por vontade própria. Então, desceu mais um degrau e pisou no chão: “Do chão não passarei”. Depois de pouquíssimos cafés da manhã, almoços e jantares conheceu seu inferno. Peculiarmente se tornou desconhecedor de tudo o que teve acesso por anos. Senti de perto sua fadiga, quase pensei em tomar seu lugar. Subitamente cegou-se de tanta verdade. Duas doses de dor diariamente. Dilapidou, balburdiou.
Não aceitou que suas virtudes o fazia pérfido.
Ignóbil interessante, tão astuto. 

As coisas que me satisfazem talvez existam exclusivamente no meu mundo, um lugar onde vivo cheia de mim.
 Tanta mesmice me ofusca para os de fora, para aqueles que são cobertos de uma grossa camada de superficialidade, medíocres. As coisas, os gostos, os sabores, as melodias, os amores... NADA daqui de fora me satisfaz, porque TUDO é pela metade. Almas, corpos, entranhas, veias, mentes... Tudo pela metade.  Não é ganância, é sede de virtude, mais eu quero por inteiro, por completo, até que extravase da minha bandeja, até que minha mala não feche, e minha boca não se cale!

Caso queira partir.


´
Depois de mais um dia cercado de rotinas, ela voltou para casa com a mesma sensação que tivera algum tempo atrás, só que dessa vez mais forte, e sentia medo. Medo daquilo que não sabia se era físico ou psíquico, mais tinha certeza de que mexia com o seu espírito. Para se acalmar, começou a cantarolar uma musica da qual gostava muito, e que levava para si como um auto-aconselhamento. A parte que mais considerava era a que dizia: “Preste atenção querida, de cada amor tu herdarás só o cinismo, quando notares estás à beira do abismo, abismo que cavastes com teus pés.” Começou a sentir um pouco de alivio, mas ao mesmo tempo sentia-se desligando desse mundo. Esvaziava toda futilidade que via a sua volta e enchia-se de paz, uma paz interior tão grande e tão leve que parecia ser carregada por uma única pena. Até que se completou por inteiro, em tudo: Corpo, alma, mente, veias, vísceras, lembranças... Mas para isso foi necessário fechar os olhos para essa dimensão, deixando somente a certeza de que sua alma naquele corpo, jamais voltará.

Jail.


Tem tempo já que admira sua
liberdade de longe, não é? Por medo de usá-la?  
Ela percebeu sua indecisão, desprendeu-se de ti e dividiu-se por ai, enchendo um pouco mais o ego dos já libertos.  A parte que ainda lhe cabe, que sempre será sua, vaga por aí, sem cores, sem amores, sem sonhos, sem TUA vida. Engraçado, você também tem andando sem sua vida ultimamente. Na verdade, ultimamente nada mais lhe enche. Há quanto tempo não estufa o peito no meio da multidão e solta um suspiro de alívio?  Diz-me porque perdeste o místico em seu olhar?  Porque não liga mais para as flores? Porque não acredita mais em destino, acaso, sorte ... Em VOCÊ?
Sei que suas noites de sono são incompletas e atormentadas e que sua consciência não te deixa mais dormir.  Se olhe no espelho então, e veja o quão vazio ele é, complete-o com tua alma e fuja desse caos. A propósito, eu posso te ajudar!

Então caiu, caiu e caiu, tendo a certeza de ouvir o vento gritar no seus ouvidos com uma voz doce e infantil, numa mistura de tom funebre. Gritos que doiam, que lhe diziam: "Engula teu egoísmo."

Na minha esquizofrenia, só eu sou capaz de viver. O meu canto desafinado e orgulhoso somente a mim encanta.
Aproveito-me dos pedaços de mentes soltas que encontro por ai, guardo tudo numa garrafa e bebo num gole bem rápido, para que o transe chegue nítido com a mesma rapidez. Porém, se meus olhos te entregarem, não seja covarde.
Vivo ao contrário da imagem que meu espelho reflete.
Aprendi a encobrir minhas vontades quando minhas mentiras ainda nem existiam, e agora sou incapaz de dizê-las e conservá-las. 

Essas fraquezas te sustentam: a certeza de que vidas medíocres te cercam, e que a sua é uma delas, as varias faces que carrega junto consigo e que se perdem quando se encontras só. Experimente viver sem elas, e deixe que suas mentiras, que até mesmo á ti convencem, escapem pelos seus dedos e escorram nuas e cruas por aquele chão sujo e pisoteado. Mas deixe-as lá, pois com certeza se pegares para si novamente, elas voltarão mais podres ainda. E se não conseguir ir adiante? Volte para sua asfixia, de olhos vermelhos e sorriso nos lábios, já que aprendeu por conta própria não exigir nada de si mesmo.

Não sei o que pretendo mostrar, muito menos o que pretendo esconder. Talvez fosse melhor deixar de lado todos os preconceitos que tenho contra mim mesma, e deixar as palavras fluírem suavemente, livres. Mas é demasiado perigoso, posso não conseguir parar e me expor demais. E quem quer saber disso tudo? Se não for para vir com pedras nas mãos, tenho certeza que ninguém. E essas mágoas que flutuam, em águas tão limpas na superfície, o que fazer? Tentar afogá-las, com certeza. Ah, mas ai descobrirei que não sou tão pura assim, pois jamais terei coragem de fazê-la, até porque, é o que me mantem alerta para meus maus presságios. É que toda noite eu tenho uma visão exata da imensidão do mundo, mas as paredes da minha construção me limitam á um adjetivo: rotina. Mas eu vejo, alias, vejo não, deslumbro toda beleza escondida ao meu redor, tanta liberdade, tão nítidas que até posso sentir seu cheiro. Aquela famosa mistura antagônica, doce e azedo. Fiz um acordo. Um acordo fortificado por alguma coisa largada a esmo, ao caso, que passava por lá, distraidamente carregando suas cores. Um acordo do qual eu não me lembro, mas tenho certeza que não me permite muitos descasos. Não que eu esteja tentando esclarecer as coisas apenas pro meu bem estar, mas é que tem certos perrengues que a gente não merece agüentar mais de uma vez. Muito menos uma vida inteira. E o que seria uma vida inteira perto de cindo minutos sem dúvidas? Nada. Nada e nada. Cinco minutos... É o tempo que tenho até um zunido crucificante vir me torturar. Uma vida inteira, talvez até duas, é o tempo que tenho para agüentar. Ou pelo o menos, fingir que sou capaz de tamanha proeza. Talvez sejam eles pequenos demais, e não eu consciente demais. Ou talvez não tenhamos nada demais. Mas que mediocridade não? Quanta futilidade em excesso, quanto fanatismo erroneamente direcionado. Quantas palavras desconhecidas pra um dicionário tão pequeno. Digo, palavras de valor. Um pouquinho mais de esforço, por favor, e uma pitada de bom senso. Ah, agora sim... Saboroso. Isso me parece doentio às vezes. Mas é disso que eu estou falando, e digamos que um grande número em massa não está entendendo.

?



São vontades que vem sem pressa de ir embora, 
é cada coisa louca que me atormenta, caso sério de distúrbio. 
Mas como são lindos esses pontos de interrogação.

segunda-feira, 23 de julho de 2012


Tenho desfrutado exageradamente da minha companhia, e tentadoramente estou gostando disso. Deve ser a resposta para minha vontade de ficar sozinha, mas não querer me sentir sozinha. Às vezes até consigo vislumbrar-me sentada ao longe, possuindo muitas coisas. Sabe, de alguma maneira, sei que estou lá. Tão longe quanto se pode imaginar. E tão distante, posso sentir o calor dos olhos arregalados e despertos, vigiando-me com tamanha sinceridade. Crua. Cruelmente. As imagens de vidros sendo quebrados passam-me voando aos olhos. Vidros que são quebrados por curtos dedos que conheço bem. Até parecem serem meus... Creio que é porque sejam meus!


" Pode parecer loucura, mas acho que não quero chegar há lugar algum. Digo, não quero parar, só quero andar, sem ponto de partida ou chegada, ir até onde der, pintando o caminho conforme ele acaba, tentar alguns limites sabe?  "

"Que a noite traga alívio imediato."


Estou tendo uma "certeza". Não sei bem do que, mas que importância isso tem perto do alívio que estou me permitindo agora?

.


Tenho pressa de ouvir novas pessoas falando de novas cores, novos amores, novos lugares, novas dores. Preciso lidar melhor com o fato de “mudar os atos”. Tenho uma mala cheia de amontoados passados, todos amassados. Mas também tem aquela música nova que eu ando ouvindo bastante, sabe, coisas deste século. Não passo mais correndo por perjúrios, tenho vontade de derrubá-los agora. Deve ser um bom começo né? Se não for um bom começo, será um doce fim.

Carta.



Deixa eu dizer coisas que a muito tempo não digo, mostrar o que congelei dentro de mim, derreter tudo, me derreter junto. Deixa eu levar as coisas pesadas pra algum lugar vazio, abandonado. Vou tentar trazer de volta aquelas noites que não dão mais as caras, trazer a tona tudo o que parecia ter sumido de vez, e tomar um susto de boca aberta ao ver tudo ali de novo. Vou dar todos meus conselhos de calçada, vou dar TODOS, já que não uso mesmo. Desentalar a garganta, desemperrar a porta, enferrujar o cadeado. Eu deixo tudo sempre aberto, e quando fecho, o que entrou não sai mais. Vou ouvir por seguidas vezes, a tarde inteira o trecho daquela música que diz “Oh, Life is bigger. It’s bigger than you and you are not me.” Vou acreditar nela, acreditar fielmente, com a minha fé que ninguém acolhe, minha fé que não é ensinada nem prescrita, é só sentida, e sentida só por mim. E ela bonita, é forte, é de verdade e não é cabível em livros. Vou encerrar todos meus diálogos sem pontos, não vou limitar, nem expandir, vou deixar fluir, apenas. 

"Ser a capa, mas ser a contra capa."


Em uma madrugada qualquer, sinto meu mundo se esvair. Desce rolando pelos dias, pelas horas macabramente lentas, rastejantes, arrastando junto à cor escarlate que eu criei e, com toda sinceridade, cheguei até dar um nome a ela. Que ingratidão tem esse calendário! Tão ingrato com minhas criações, com meus anseios. Tão distante de uma divindade humana. De janela aberta também vejo a ingratidão do por do sol. Este vai embora com meus acalentos e com ingênua ousadia aqui me deixa, despida, desarmada. Depois amanheço nostálgica e ainda despretensiosamente me pergunto o porquê. De olhares escravos ao pudor já estou farta. Quero respostas cruas, do tipo em que se da a cara a tapa botando-as para fora. Queria uma coragem, mesmo incerta. Seletamente me envolvo com seres falantes, nem sempre pensantes. De boa vontade, apalpo qualquer coisa que não seja concreta, só pra me contradizer. Privo-me desse masoquismo são. De qualquer jeito, eu tenho que me sobrepor. Nem que seja me sobrepor a MIM! Vejam a mim! Dispam-se de injúrias. Façam promessas curtas que serão cumpridas com a mesma rapidez com que foram feitas. Está aí a beleza da contradição. Dizer E fazer!

Em demasia.


O cansaço se instala em cada mínimo ponto do meu corpo, torna-se hospedeiro. Na companhia dele me pergunto que sacrifício é esse, tão esplendido que tenho que me entregar profundamente sem medo. Todas as janelas refletem luz, mas nenhuma reflete meus segredos, esses que guardo por gratidão. Gratidão a mim mesma. Arrebatador o som que ouço saindo daqui de dentro. Sou capaz de senti-lo, mas não de dizê-lo. Me parece medonho, febril. As estrelas pingam uma a uma, como se caíssem de um conta gotas. Quero o céu límpido, pra poder enxergar o que meus delírios crêem, e não o que meus olhos vêem.  De qualquer distância insisto ser o que não devo. Perto, longe, ou mesmo aqui onde estou (onde estou?), o mundo me chega a cavalgadas, rápido, barulhento e feroz, vivido como o sangue que escorre de uma ferida cutucada. Talvez seja isso: não deveria ser sangue, não deveria estrela, não deveria ser corpo cansado, não deveria ser janela, muito menos ser nada. Deveria ser apenas EU!

Same old fears.


É breve, muito breve. Quase da pra ver o tempo correndo, de patas ligeiras e olhares longínquos. E ao meio-dia da minha vida, alguma coisa necessita mutuamente de atenção e a atenção requer silêncio, e o silêncio é escasso.  Em meio a tanta falta, mesmo falta essa que ainda nem se sentiu, o princípio prevalece límpido, ou os olhos permanecem abertos e céticos? É quase tão momentâneo quanto soltar os cabelos ao vento e sentir cheiro de gente se espelhando por aí.  O que invento, aqui, agora, busca um limite implacável de algo tão cruelmente esquecido em rastros, como um erro extra vulgar, que, no entanto, foi apenas mal compreendido. Já as corajosas farfallas rasgam sedas e alçam vôo com perfeição, como se fizessem isso desde que o primeiro jato de luz caiu de algum infinito distinto. E distinguir, ao contrário de sentir, é questão de conceito, e imaginar como tudo sorrateiramente se encaixa em qualquer reta paralela ou não, é obrigação.

Losing my religion!


Fé, solúvel, pó que se dissolve em águas turvas, te agarra pelas pernas, elas que seriam seu único apoio ainda em pé.
Engolir os anseios antes que eles o engula.
Parece simples... E É!


"Então era assim que ele se sentia: espelho, ele, ele e o espelho.
Mas tinha alguma coisa nesse curto intervalo entre as duas presenças, uma fria e uma cheia de vida, porém fria também, tanto quanto a primeira. Mas ia além, ia sim. Alguma coisa havia acontecido em algum instante que passou despercebido pelo piscar daqueles olhos. Quase como obrigação, agora só falava e escrevia no singular, nunca mais do que um “eu”. Ia levando assim seus dias, carregados naquela carroça que ele chamava de alma, aquela coisa lenta, sem reação. Agora, se tinha vontade de gritar, gritava, se tinha vontade de chorar, chorava, se queria se mostrar, se mostrava, mas tudo dentro dele. Tão profundamente dentro dele, que às vezes nem ele enxergava."

sábado, 21 de julho de 2012


‎"Quando andamos sob folhas caídas, nos chãos pisados e marcados por diversas vidas, vindas de todos os cantos, mal percebemos que pisamos no tempo passado e em histórias inestimáveis."

quinta-feira, 5 de julho de 2012


É assim: viajamos eternamente dentro de um trem, por trilhos gastos e quase já inexistentes, onde o trem balança e chacoalha a gente, chacolha e mistura tudo o que temos por dentro, nos tira tudo do lugar. Passamos a sentir medo na cabeça e fome no coração, e passamos então a procurar e a perceber coisas. Percebemos que em nenhuma busca, por mais longa que seja, não encontraremos nada que amenize o medo e sacie a fome. Passaremos a viagem toda sem perceber a paisagem indo embora e sem perceber as mudanças sofridas, principalmente dentro de nós. Procuraremos dentro do trem, somente dentro do trem, pra então, ao fim de tudo, darmos de cara com nós mesmo e descobrir que eramos exatamente o que nos faltava: Nos conhecer, nos achar, nos aceitar. E só então, tarde demais, descobriremos que somos tão grandes a ponto de não cabernos por inteiro em nós mesmos, e descobriremos que podiamos ter nos doado sem medo de nos desgastar.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Moonlight Drive


"É a batida do meu coração que acompanha o cair da chuva, o batuque dos meus dedos na capa do livro, que acompanha a melodia da música, que acompanha os passos na rua, que acompanha o desejo da minha alma de ser eterna crescente, que acompanha as descobertas dos meus olhos e os arrepios da minha pela. É ele, que me traz e me leva vida, que me da o direito de ser, de crer ou não crer, de me aceitar ou não, de amar ou não. É ele quem eu prezo, tenho apreço e não o rendo!"

sábado, 2 de junho de 2012


Essa sensação de vazio se enchendo, som se propagando em explosão ao continuar de pé as 05h20minh da manhã com tantos vícios lícitos, como se sentar á janela da sala e esperar os primeiros raios de sol te convidando a ir deitar, ou as músicas que te confessam com gritos em melodias o quanto você se destorce pra si mesmo, como pesa a sua alma, o café que desce quente na esperança de amenizar todo o tremor de seu corpo, sua vontade de esfregar os olhos e aparecer em outro lugar, nem que seja do outro lado do portão, mas estar com a sensação de ter perdido a chave, desejando não sentir sono por medo de fechar os olhos por um instante e não vivenciar algo que te valorize, e continuar sentado por um bom tempo, você e você, descascando sorrisos facilmente, sendo qualquer coisa facilmente. Depois, olhar no espelho e se achar ridículo com a aparência cansada e desolada, mas se arrepiar ao sentir que aquilo soa tão verdadeiro

Independência ou Morte!


Parei em frente aquela porta entreaberta. Poucas luzes, pouca gente, música alta. Estava frio, mas não era com isso que eu me importava. Alguma coisa me incomodava grandiosamente. Tive um mal estar olhando pra aquelas mesas e cadeiras, sabia que já as tinha visto de algum modo. Talvez esparramadas, bagunçadas. Não sei. Tive vontade de entrar, então entrei. Lá dentro parecia mais frio do que do lado de fora. Acho que era a frieza humana que lá dentro reinava. Sabe quando alguma coisa saltita na garganta? Então, tava lá saltitando, quase saindo boca a fora. É que a cara das pessoas... Pessoas não, bonecos. Infláveis, de pano, de porcelana. Não interessa. O fato é que se poderia fazer qualquer personagem em qualquer um que ali estivesse. Eles eram tão calmos, despretensiosos, tão sem vida. Incomodei-me de novo. Tenho me incomodado em todos os lugares. Mas o que mais me incomoda sou eu. De mim sei que não posso fugir então essa inquietação eu assumo. Quis pedir um café, mas alguma coisa na falta de expressão do garçom me disse que o café viria frio, amargo, de anteontem, adormecido. Prolonguei minha estadia lá por mais uns minutos. Aí me dei o alívio de ir embora. Da porta pra fora, tive a certeza de que a coisa que me incomodava, coisa desconhecida, estava grandiosamente maior. Não consegui fechar os olhos pra dormir naquela quase madrugada. Já tinha tomado conhecimento demais dos bonecos. Suas faces petrificadas passaram a viajar na minha imaginação. Não sei, mas, de  tão penosos, esses seres chegam a me dar medo. Rostos duros, falsos. Por isso me olhei no espelho e me dei a careta mais sincera e cheia de sentimentos que pude. Um suspiro de alívio apareceu. “Ainda sou eu!”

Fly


Eu via aquilo caminhando, vindo de algum infinito qualquer, sem nome. Jorrava luzes escuras por todos os cantos, mas para mim aquelas eram as mais belas luzes já vistas por meus olhos tão toscos e mornos. Vinha descobrindo-me, de longe se via meus segredos espalhando-se lentamente por um caminho extenso. A música começou lenta, como se soltasse vultos vermelhos e vivos a me envolverem em tão macias sedas. Seria maldade demais acordar-me de tão esperado sonho. Mantive-me serena e lúcida. A todo instante temia ser desenganada. Matinha na minha mente cenários espetaculares, sinestesias aguçadas. Adentrava em tudo o que se permitia adentrar. O único “cômodo” no qual entrei e não tive forças para sair, foi em MIM. A porta que sempre se mantêm aberta!

Caminhada


Os pés descalços, solas gastas,
 eram sinais de caminhada longa.
Os olhos marejados de lágrimas 
era um sinal de cansaço depois da luta vencida.
 A boca seca era sinal de deserto, 
depois de palavras deveras verdadeiras e vorazes.
 O braço cansado era sinal de muito peso, 
depois de carregado o troféu. 
O sorriso era sinal de alívio, 
depois de tanto ter vivido por ele mesmo. 
E a sombra era a mais pura recompensa!



Minha alma de sonhar-te anda perdida...


Em minhas mais loucas e desajeitadas fantasias cheias de desejos, era assim: Em voz rouca, na ponta dos pés eu te sussurrava segredos, me despia de todos os meus defeitos e você dos seus para os lavarmos juntos. Refletíamos-nos desarmados de qualquer inocência e defesa carnal, só alma e amado desconhecido. Tínhamos a frente um banquete de pratos transbordando de erros e volúpias, aos quais devorávamos inteiramente, cada qual assim, satisfeito de pedaços um do outro.
Não éramos dois que se tornavam um. Éramos dois que se dividiam em mil, sendo tudo de uma vez, juntos.

Meu coração vagabundo quer guardar o mundo em mim...


Abraça-me mundo, abraça-me universo.
Aperte-me bem forte com seus longos braços, 
mas aperte-me com orgulho para depositar
 em meu ser o que de mais belo e digno trazes.
Conspire-se todo ao meu favor para que então, com minha força por inteira, eu despeje sobre ti o que de mais doce trago em mim.


Inverno


A todo instante sou tomada pelo reconhecimento da abstinência de sentimentos na qual vivo. O fato de eu apagar todas as luzes e deixar as janelas abertas num dia frio é pra ver se me convenço de que pelo o menos em um momento algo se assemelha a mim. O medo, a dor, as lágrimas. As malditas lágrimas não são frias como a chuva, não. Antes fossem. Mas elas caem quentes, me contando tortuosamente que posso ser mais do que a escravidão dos meus olhos. A todo instante elas chegam, molhadas e vivas. Ás vezes mais vivas do que eu.  Queria então perder meu tempo, meu juízo, meus júbilos. Entregá-los pro vento, tendo a certeza de que a sensação de alívio seria muito maior do que a de perda. Aí, de novo! Ta vendo? Lá! Não, não. Aqui, do meu lado. A frieza, de novo. É que agora ela entra sem bater.

Realizou-se



“Antecipar o fim”.

Era com isso que sonhava sentada a beira da cama, depois de sentir o sol lhe queimando os olhos e os ponteiros do relógio girando violentamente dentro dela.

“Antecipar o fim”.

Eram essas as palavras que lhe vinham à boca sentada á mesa, mas as engolia de volta junto com o café amargo que era servido de boa vontade.

“Antecipar o fim”.

Era isso que tinha vontade de fazer quando via o sol indo embora e levando junto consigo infinitas possibilidades.

“Antecipar o fim”.

Foi isso o que fez á noite, ao sentir que as águas daquele lago eram tão convidativas como nunca foram ao pensar no gélido conforto que sentiria descansando a vida em seu fundo.

Reveries Fanatics



Montando meu comício.
Maravilha intoxicante, bom vício.
Sou de tanta ternura sem espaço, 
que desejo denconto em teus braços.
Um cheiro desconhecido, deliciso, 
que de tão distante se tornou meu precioso.
Sem licença, teu ar mais puro eu roubo 
e o guardo como tendência.
Misture tudo, seja meu "uso", sem custo.

,


A quanta coisa me sinto atraída, coisas que significam mais de uma palavra, que se estendem além do que podem ser. Quanta simplicidade se pode associar ao mutável, quantas estabilizações ele se permitiria? Eu vejo sombras caminhantes. Sombras e só. Logo mais deixo de ver, Mas não é que no escuro da noite elas deixam de existir, não. É que elas são da cor da noite, então, sem esforço algum se camuflam. E se a nostalgia me vem como tormento, me pergunto "Nostalgia de quando?" Para outros dizeres existem pontos finais, mas para os meus não. Apenas vírgulas, cismadas vírgulas.

Escombros


Quais são os seus medos?
Seus segredos?
Esconde-os debaixo das cobertas.
Depois os rabisque em quadros negros
E deixe as portas abertas.
Assim todos verão
Quanto dos seus esforços
Dos seus amores foram em vão.
Seus desejos afogados
Numa sociedade onde todos permanecem acordados.
Manifeste sua loucura
Antes que a realidade obscura a engula.



Pra tuas cantigas, meus reis . ☼


Longe de crenças, apenas na eterna presença extensa de desejos. Abortados todos os portões, janelas, trancas, tudo o que possa impedir o incessante transe de entra e sai de mundos. Prontos pra tragaram intragáveis maus destinos. De luzes vestidas às peles, de punhos cerrados trajados os lábios. Longos gestos inúteis a olhos nus, jogados as traças. Estalam os dedos, estalam os dedos. Cantam os loucos, delirantes prosas, poesias, folias e profecias.

Sentimentalismo Genealógico


Senti o cheiro de sentimento bom indo embora
Vi toda sua partida, sua queda
Me lembrei da árvore que vive ao lado da minha janela
E de suas folhas caindo no outono.
Mas a queda, o voô desse sentimento não foi belo
Como a despedida das folhas no outono.
Uma árvore trajada de galhos sem folhas ainda é cheia de vida
Basta olha-la, e de imediato percebe-se isso.
Mas uma pessoas sem esse sentimento, não.
Um sentimento bom se esvai, e muita vida falta
Nos olhos, na alma, no peito, pra tudo, e pra sempre.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Glacinda retina


Alucinada eu ando, correndo, girando, talvez até mesmo sem sair do lugar. Tenho me vestido de voraz ousadia ultimamente. A imagem no espelho é a mesma, mas as noites antes de dormir mudaram, estão mais pesadas e aveludadas, uma coisa meio que morbidamente bela. Tenho gostado dos novos sorrisos que secretamente me acendem, principalmente porque ninguém os vê!
É preciso muita autenticidade pra isso.

segunda-feira, 28 de maio de 2012


Sentado no ônibus, é fácil perceber o brilho melancolico nos meus olhos. De tão explicíto, é quase possível se sentir cheiro de dor ao se aproximar de mim
Penso então em pegar minha agenda e me desabar sobre ela, jorrar todo o medo, a nostalgia, a falta, o excesso, os pecados, tudo, ali mesmo. Mas me dou conta de que estou cercado de olhares nada pacíficos e muito menos aconchegantes.
De súbtio, travo os sentimentos dentro de mim, forçando-os numa prisão interna. E então me dou conta de uma coisa: Porque vergonha de demonstrar dor em público?
 Afinal de contas, a dor é realmente o mais puro dos sentimentos, voraz, feroz e gigante, que engole a todos os outros como se fosse um ser sedento engolindo goles atrás de goles de água fresca 
após dias numa excassez de líquido.
Me liberto.
Abro a bolsa, retiro a agenda e um lápis relativamente novo.
No mesmo instante em que a primeira palavra se deita no leito confortável e morno da linha, uma lágrima escorre de meus olhos e deita ao lado e da as mãos à primeira palavra escrita. Então, ficam assim, lado a lado, numa espécia de irmandade, de apoio, de necessidade óbvia e insubstituível, como se um não pudesse existir sem o outro.

domingo, 13 de maio de 2012

Resiliência.


É um silêncio egoísta esse. Me toma por inteira e toma toda a minha coragem de falar, e então eu fico assim, ouvindo as músicas, lendo os livros e me alimentando dos tormentos meus e dos outros, aí minha alma fica pesada, muito pesada, e quando eu chego perto de você, de tão pesada, ela não tem força para se levantar e jorrar pra fora tudo o que de ruim ela tem.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

La Solitude




E quando venho a reclamar da solidão numa clara alusão à presença física, me recuo no meu praguejamento e logo penso, me recordo e me entrego aos poetas, às músicas, aos questionamentos, feitos em outrora por quem desconhecia por completo minha alma e meu ego, mas que, como num ato de me prever, deu vida aos mesmos pontos de interrogações que me acompanham.
E logo a solidão não me vêm mais ser conveniente e nem tão pouco lúcida. É só um vazio que tem, é só um corpo que falta. Um rosto, um olhar, o cheiro de uma pele, as rugas de uma mão. Falta alguma coisa do lado de fora.
Mas a solidão, essa que deveria deixar espaços em branco do lado de dentro, se comprime, densa e inútil num emaranhado de livros e discos, e se descarta, assim, sem importância nenhuma.
E uma hora ela volta, sempre volta, porque ela pertence ao ser humano, a solidão está grudada nas paredes da alma de todo ser humano, é a nossa essência. O que podemos fazer é convênce-la a dar uma volta, um passeio onde fique longe de nosso alcançe, e quando sentir-se necessidade de ser só, para crescer, para se descobrir e se findar, basta chama-lá de volta.

Freedom




!
E que vençam os sonhos que nascem na
contramão da desigualdade!

Submergir.


A saudade que emana daqueles olhos é dolorosamente clara e concreta.
Da pra se ouvir o coração sapateando na garganta.
Mas não é só um tipo de saudade que atormenta.
É saudade do que acabou de acontecer,
do que aconteceu ontem, cinco anos atrás,
e até saudade do que ainda não veio.
E os "porquês" são tantos!
É como se tivesse os colocados numa xícara com café bem quente,
e bebido tudo num gole só.
Aqueles "porquês" fazem seu estomago doer.
As coisas no seu quarto e na sua cabeça
tem cheiro de ferrugem, de livro velho.
De madrugada, a lua escaldante canta um
blues absurdamente alto e egoísta.
A noite quer toda sua vida só pra ela, todos os seus pontos finais e interrogações, cujos tanto trabalho deu para construir.
E nem sequer o silêncio lhe distrai mais, nem ele,
que foi sempre tão companheiro e presente.
O que pode fazer agora é dançar de passo leve,
lento, sem ritmo, deslizando seu emaranhado de sentimentos pelo chão frio.
E assim, dos teus olhos se faz córrego, nos teus lábios se desenha a sorte, pra hoje, amanhã, e todas as vezes que a vida cobrar.