"É a batida do meu coração que acompanha o cair da chuva, o batuque dos meus dedos na capa do livro, que acompanha a melodia da música, que acompanha os passos na rua, que acompanha o desejo da minha alma de ser eterna crescente, que acompanha as descobertas dos meus olhos e os arrepios da minha pela. É ele, que me traz e me leva vida, que me da o direito de ser, de crer ou não crer, de me aceitar ou não, de amar ou não. É ele quem eu prezo, tenho apreço e não o rendo!"
quarta-feira, 6 de junho de 2012
sábado, 2 de junho de 2012
Essa sensação de vazio se enchendo, som se propagando em explosão ao continuar de pé as 05h20minh da manhã com tantos vícios lícitos, como se sentar á janela da sala e esperar os primeiros raios de sol te convidando a ir deitar, ou as músicas que te confessam com gritos em melodias o quanto você se destorce pra si mesmo, como pesa a sua alma, o café que desce quente na esperança de amenizar todo o tremor de seu corpo, sua vontade de esfregar os olhos e aparecer em outro lugar, nem que seja do outro lado do portão, mas estar com a sensação de ter perdido a chave, desejando não sentir sono por medo de fechar os olhos por um instante e não vivenciar algo que te valorize, e continuar sentado por um bom tempo, você e você, descascando sorrisos facilmente, sendo qualquer coisa facilmente. Depois, olhar no espelho e se achar ridículo com a aparência cansada e desolada, mas se arrepiar ao sentir que aquilo soa tão verdadeiro
Independência ou Morte!
Parei em frente aquela porta entreaberta. Poucas luzes, pouca gente, música alta. Estava frio, mas não era com isso que eu me importava. Alguma coisa me incomodava grandiosamente. Tive um mal estar olhando pra aquelas mesas e cadeiras, sabia que já as tinha visto de algum modo. Talvez esparramadas, bagunçadas. Não sei. Tive vontade de entrar, então entrei. Lá dentro parecia mais frio do que do lado de fora. Acho que era a frieza humana que lá dentro reinava. Sabe quando alguma coisa saltita na garganta? Então, tava lá saltitando, quase saindo boca a fora. É que a cara das pessoas... Pessoas não, bonecos. Infláveis, de pano, de porcelana. Não interessa. O fato é que se poderia fazer qualquer personagem em qualquer um que ali estivesse. Eles eram tão calmos, despretensiosos, tão sem vida. Incomodei-me de novo. Tenho me incomodado em todos os lugares. Mas o que mais me incomoda sou eu. De mim sei que não posso fugir então essa inquietação eu assumo. Quis pedir um café, mas alguma coisa na falta de expressão do garçom me disse que o café viria frio, amargo, de anteontem, adormecido. Prolonguei minha estadia lá por mais uns minutos. Aí me dei o alívio de ir embora. Da porta pra fora, tive a certeza de que a coisa que me incomodava, coisa desconhecida, estava grandiosamente maior. Não consegui fechar os olhos pra dormir naquela quase madrugada. Já tinha tomado conhecimento demais dos bonecos. Suas faces petrificadas passaram a viajar na minha imaginação. Não sei, mas, de tão penosos, esses seres chegam a me dar medo. Rostos duros, falsos. Por isso me olhei no espelho e me dei a careta mais sincera e cheia de sentimentos que pude. Um suspiro de alívio apareceu. “Ainda sou eu!”
Fly
Eu via aquilo caminhando, vindo de algum infinito qualquer, sem nome. Jorrava luzes escuras por todos os cantos, mas para mim aquelas eram as mais belas luzes já vistas por meus olhos tão toscos e mornos. Vinha descobrindo-me, de longe se via meus segredos espalhando-se lentamente por um caminho extenso. A música começou lenta, como se soltasse vultos vermelhos e vivos a me envolverem em tão macias sedas. Seria maldade demais acordar-me de tão esperado sonho. Mantive-me serena e lúcida. A todo instante temia ser desenganada. Matinha na minha mente cenários espetaculares, sinestesias aguçadas. Adentrava em tudo o que se permitia adentrar. O único “cômodo” no qual entrei e não tive forças para sair, foi em MIM. A porta que sempre se mantêm aberta!
Caminhada
Os pés descalços, solas gastas,
eram sinais de caminhada longa.
Os olhos marejados de lágrimas
era um sinal de cansaço depois da luta vencida.
A boca seca era sinal de deserto,
depois de palavras deveras verdadeiras e vorazes.
O braço cansado era sinal de muito peso,
depois de carregado o troféu.
O sorriso era sinal de alívio,
depois de tanto ter vivido por ele mesmo.
E a sombra era a mais pura recompensa!
Minha alma de sonhar-te anda perdida...
Em minhas mais loucas e desajeitadas fantasias cheias de desejos, era assim: Em voz rouca, na ponta dos pés eu te sussurrava segredos, me despia de todos os meus defeitos e você dos seus para os lavarmos juntos. Refletíamos-nos desarmados de qualquer inocência e defesa carnal, só alma e amado desconhecido. Tínhamos a frente um banquete de pratos transbordando de erros e volúpias, aos quais devorávamos inteiramente, cada qual assim, satisfeito de pedaços um do outro.
Não éramos dois que se tornavam um. Éramos dois que se dividiam em mil, sendo tudo de uma vez, juntos.
Meu coração vagabundo quer guardar o mundo em mim...
Abraça-me mundo, abraça-me universo.
Aperte-me bem forte com seus longos braços,
mas aperte-me com orgulho para depositar
em meu ser o que de mais belo e digno trazes.
Conspire-se todo ao meu favor para que então, com minha força por inteira, eu despeje sobre ti o que de mais doce trago em mim.
Inverno
A todo instante sou tomada pelo reconhecimento da abstinência de sentimentos na qual vivo. O fato de eu apagar todas as luzes e deixar as janelas abertas num dia frio é pra ver se me convenço de que pelo o menos em um momento algo se assemelha a mim. O medo, a dor, as lágrimas. As malditas lágrimas não são frias como a chuva, não. Antes fossem. Mas elas caem quentes, me contando tortuosamente que posso ser mais do que a escravidão dos meus olhos. A todo instante elas chegam, molhadas e vivas. Ás vezes mais vivas do que eu. Queria então perder meu tempo, meu juízo, meus júbilos. Entregá-los pro vento, tendo a certeza de que a sensação de alívio seria muito maior do que a de perda. Aí, de novo! Ta vendo? Lá! Não, não. Aqui, do meu lado. A frieza, de novo. É que agora ela entra sem bater.
Realizou-se
“Antecipar o fim”.
Era com isso que sonhava sentada a beira da cama, depois de sentir o sol lhe queimando os olhos e os ponteiros do relógio girando violentamente dentro dela.
“Antecipar o fim”.
Eram essas as palavras que lhe vinham à boca sentada á mesa, mas as engolia de volta junto com o café amargo que era servido de boa vontade.
“Antecipar o fim”.
Era isso que tinha vontade de fazer quando via o sol indo embora e levando junto consigo infinitas possibilidades.
“Antecipar o fim”.
Foi isso o que fez á noite, ao sentir que as águas daquele lago eram tão convidativas como nunca foram ao pensar no gélido conforto que sentiria descansando a vida em seu fundo.
Reveries Fanatics
Montando meu comício.
Maravilha intoxicante, bom vício.
Sou de tanta ternura sem espaço,
que desejo denconto em teus braços.
Um cheiro desconhecido, deliciso,
que de tão distante se tornou meu precioso.
Sem licença, teu ar mais puro eu roubo
e o guardo como tendência.
Misture tudo, seja meu "uso", sem custo.
,
A quanta coisa me sinto atraída, coisas que significam mais de uma palavra, que se estendem além do que podem ser. Quanta simplicidade se pode associar ao mutável, quantas estabilizações ele se permitiria? Eu vejo sombras caminhantes. Sombras e só. Logo mais deixo de ver, Mas não é que no escuro da noite elas deixam de existir, não. É que elas são da cor da noite, então, sem esforço algum se camuflam. E se a nostalgia me vem como tormento, me pergunto "Nostalgia de quando?" Para outros dizeres existem pontos finais, mas para os meus não. Apenas vírgulas, cismadas vírgulas.
Escombros
Quais são os seus medos?
Seus segredos?
Esconde-os debaixo das cobertas.
Depois os rabisque em quadros negros
E deixe as portas abertas.
Assim todos verão
Quanto dos seus esforços
Dos seus amores foram em vão.
Seus desejos afogados
Numa sociedade onde todos permanecem acordados.
Manifeste sua loucura
Antes que a realidade obscura a engula.
Pra tuas cantigas, meus reis . ☼
Longe de crenças, apenas na eterna presença extensa de desejos. Abortados todos os portões, janelas, trancas, tudo o que possa impedir o incessante transe de entra e sai de mundos. Prontos pra tragaram intragáveis maus destinos. De luzes vestidas às peles, de punhos cerrados trajados os lábios. Longos gestos inúteis a olhos nus, jogados as traças. Estalam os dedos, estalam os dedos. Cantam os loucos, delirantes prosas, poesias, folias e profecias.
Sentimentalismo Genealógico
Senti o cheiro de sentimento bom indo embora
Vi toda sua partida, sua queda
Me lembrei da árvore que vive ao lado da minha janela
E de suas folhas caindo no outono.
Mas a queda, o voô desse sentimento não foi belo
Como a despedida das folhas no outono.
Uma árvore trajada de galhos sem folhas ainda é cheia de vida
Basta olha-la, e de imediato percebe-se isso.
Mas uma pessoas sem esse sentimento, não.
Um sentimento bom se esvai, e muita vida falta
Nos olhos, na alma, no peito, pra tudo, e pra sempre.
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