A todo instante sou tomada pelo reconhecimento da abstinência de sentimentos na qual vivo. O fato de eu apagar todas as luzes e deixar as janelas abertas num dia frio é pra ver se me convenço de que pelo o menos em um momento algo se assemelha a mim. O medo, a dor, as lágrimas. As malditas lágrimas não são frias como a chuva, não. Antes fossem. Mas elas caem quentes, me contando tortuosamente que posso ser mais do que a escravidão dos meus olhos. A todo instante elas chegam, molhadas e vivas. Ás vezes mais vivas do que eu. Queria então perder meu tempo, meu juízo, meus júbilos. Entregá-los pro vento, tendo a certeza de que a sensação de alívio seria muito maior do que a de perda. Aí, de novo! Ta vendo? Lá! Não, não. Aqui, do meu lado. A frieza, de novo. É que agora ela entra sem bater.

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