"Então era assim que ele se sentia: espelho, ele, ele e o espelho.
Mas tinha alguma coisa nesse curto intervalo entre as duas presenças, uma fria e uma cheia de vida, porém fria também, tanto quanto a primeira. Mas ia além, ia sim. Alguma coisa havia acontecido em algum instante que passou despercebido pelo piscar daqueles olhos. Quase como obrigação, agora só falava e escrevia no singular, nunca mais do que um “eu”. Ia levando assim seus dias, carregados naquela carroça que ele chamava de alma, aquela coisa lenta, sem reação. Agora, se tinha vontade de gritar, gritava, se tinha vontade de chorar, chorava, se queria se mostrar, se mostrava, mas tudo dentro dele. Tão profundamente dentro dele, que às vezes nem ele enxergava."

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