Em uma madrugada qualquer, sinto meu mundo se esvair. Desce rolando pelos dias, pelas horas macabramente lentas, rastejantes, arrastando junto à cor escarlate que eu criei e, com toda sinceridade, cheguei até dar um nome a ela. Que ingratidão tem esse calendário! Tão ingrato com minhas criações, com meus anseios. Tão distante de uma divindade humana. De janela aberta também vejo a ingratidão do por do sol. Este vai embora com meus acalentos e com ingênua ousadia aqui me deixa, despida, desarmada. Depois amanheço nostálgica e ainda despretensiosamente me pergunto o porquê. De olhares escravos ao pudor já estou farta. Quero respostas cruas, do tipo em que se da a cara a tapa botando-as para fora. Queria uma coragem, mesmo incerta. Seletamente me envolvo com seres falantes, nem sempre pensantes. De boa vontade, apalpo qualquer coisa que não seja concreta, só pra me contradizer. Privo-me desse masoquismo são. De qualquer jeito, eu tenho que me sobrepor. Nem que seja me sobrepor a MIM! Vejam a mim! Dispam-se de injúrias. Façam promessas curtas que serão cumpridas com a mesma rapidez com que foram feitas. Está aí a beleza da contradição. Dizer E fazer!

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