O cansaço se instala em cada mínimo ponto do meu corpo, torna-se hospedeiro. Na companhia dele me pergunto que sacrifício é esse, tão esplendido que tenho que me entregar profundamente sem medo. Todas as janelas refletem luz, mas nenhuma reflete meus segredos, esses que guardo por gratidão. Gratidão a mim mesma. Arrebatador o som que ouço saindo daqui de dentro. Sou capaz de senti-lo, mas não de dizê-lo. Me parece medonho, febril. As estrelas pingam uma a uma, como se caíssem de um conta gotas. Quero o céu límpido, pra poder enxergar o que meus delírios crêem, e não o que meus olhos vêem. De qualquer distância insisto ser o que não devo. Perto, longe, ou mesmo aqui onde estou (onde estou?), o mundo me chega a cavalgadas, rápido, barulhento e feroz, vivido como o sangue que escorre de uma ferida cutucada. Talvez seja isso: não deveria ser sangue, não deveria estrela, não deveria ser corpo cansado, não deveria ser janela, muito menos ser nada. Deveria ser apenas EU!

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