terça-feira, 24 de julho de 2012

Hell



Observando pessoas irem, virem, não voltarem.
Pessoas invulgares, censuradas pelos desejos,
por aqueles que fazem delas seres que convivem em sociedade ... Censuradas por elas mesmas. Chegou perto de se satisfazer plenamente por vontade própria. Então, desceu mais um degrau e pisou no chão: “Do chão não passarei”. Depois de pouquíssimos cafés da manhã, almoços e jantares conheceu seu inferno. Peculiarmente se tornou desconhecedor de tudo o que teve acesso por anos. Senti de perto sua fadiga, quase pensei em tomar seu lugar. Subitamente cegou-se de tanta verdade. Duas doses de dor diariamente. Dilapidou, balburdiou.
Não aceitou que suas virtudes o fazia pérfido.
Ignóbil interessante, tão astuto. 

As coisas que me satisfazem talvez existam exclusivamente no meu mundo, um lugar onde vivo cheia de mim.
 Tanta mesmice me ofusca para os de fora, para aqueles que são cobertos de uma grossa camada de superficialidade, medíocres. As coisas, os gostos, os sabores, as melodias, os amores... NADA daqui de fora me satisfaz, porque TUDO é pela metade. Almas, corpos, entranhas, veias, mentes... Tudo pela metade.  Não é ganância, é sede de virtude, mais eu quero por inteiro, por completo, até que extravase da minha bandeja, até que minha mala não feche, e minha boca não se cale!

Caso queira partir.


´
Depois de mais um dia cercado de rotinas, ela voltou para casa com a mesma sensação que tivera algum tempo atrás, só que dessa vez mais forte, e sentia medo. Medo daquilo que não sabia se era físico ou psíquico, mais tinha certeza de que mexia com o seu espírito. Para se acalmar, começou a cantarolar uma musica da qual gostava muito, e que levava para si como um auto-aconselhamento. A parte que mais considerava era a que dizia: “Preste atenção querida, de cada amor tu herdarás só o cinismo, quando notares estás à beira do abismo, abismo que cavastes com teus pés.” Começou a sentir um pouco de alivio, mas ao mesmo tempo sentia-se desligando desse mundo. Esvaziava toda futilidade que via a sua volta e enchia-se de paz, uma paz interior tão grande e tão leve que parecia ser carregada por uma única pena. Até que se completou por inteiro, em tudo: Corpo, alma, mente, veias, vísceras, lembranças... Mas para isso foi necessário fechar os olhos para essa dimensão, deixando somente a certeza de que sua alma naquele corpo, jamais voltará.

Jail.


Tem tempo já que admira sua
liberdade de longe, não é? Por medo de usá-la?  
Ela percebeu sua indecisão, desprendeu-se de ti e dividiu-se por ai, enchendo um pouco mais o ego dos já libertos.  A parte que ainda lhe cabe, que sempre será sua, vaga por aí, sem cores, sem amores, sem sonhos, sem TUA vida. Engraçado, você também tem andando sem sua vida ultimamente. Na verdade, ultimamente nada mais lhe enche. Há quanto tempo não estufa o peito no meio da multidão e solta um suspiro de alívio?  Diz-me porque perdeste o místico em seu olhar?  Porque não liga mais para as flores? Porque não acredita mais em destino, acaso, sorte ... Em VOCÊ?
Sei que suas noites de sono são incompletas e atormentadas e que sua consciência não te deixa mais dormir.  Se olhe no espelho então, e veja o quão vazio ele é, complete-o com tua alma e fuja desse caos. A propósito, eu posso te ajudar!

Então caiu, caiu e caiu, tendo a certeza de ouvir o vento gritar no seus ouvidos com uma voz doce e infantil, numa mistura de tom funebre. Gritos que doiam, que lhe diziam: "Engula teu egoísmo."

Na minha esquizofrenia, só eu sou capaz de viver. O meu canto desafinado e orgulhoso somente a mim encanta.
Aproveito-me dos pedaços de mentes soltas que encontro por ai, guardo tudo numa garrafa e bebo num gole bem rápido, para que o transe chegue nítido com a mesma rapidez. Porém, se meus olhos te entregarem, não seja covarde.
Vivo ao contrário da imagem que meu espelho reflete.
Aprendi a encobrir minhas vontades quando minhas mentiras ainda nem existiam, e agora sou incapaz de dizê-las e conservá-las. 

Essas fraquezas te sustentam: a certeza de que vidas medíocres te cercam, e que a sua é uma delas, as varias faces que carrega junto consigo e que se perdem quando se encontras só. Experimente viver sem elas, e deixe que suas mentiras, que até mesmo á ti convencem, escapem pelos seus dedos e escorram nuas e cruas por aquele chão sujo e pisoteado. Mas deixe-as lá, pois com certeza se pegares para si novamente, elas voltarão mais podres ainda. E se não conseguir ir adiante? Volte para sua asfixia, de olhos vermelhos e sorriso nos lábios, já que aprendeu por conta própria não exigir nada de si mesmo.

Não sei o que pretendo mostrar, muito menos o que pretendo esconder. Talvez fosse melhor deixar de lado todos os preconceitos que tenho contra mim mesma, e deixar as palavras fluírem suavemente, livres. Mas é demasiado perigoso, posso não conseguir parar e me expor demais. E quem quer saber disso tudo? Se não for para vir com pedras nas mãos, tenho certeza que ninguém. E essas mágoas que flutuam, em águas tão limpas na superfície, o que fazer? Tentar afogá-las, com certeza. Ah, mas ai descobrirei que não sou tão pura assim, pois jamais terei coragem de fazê-la, até porque, é o que me mantem alerta para meus maus presságios. É que toda noite eu tenho uma visão exata da imensidão do mundo, mas as paredes da minha construção me limitam á um adjetivo: rotina. Mas eu vejo, alias, vejo não, deslumbro toda beleza escondida ao meu redor, tanta liberdade, tão nítidas que até posso sentir seu cheiro. Aquela famosa mistura antagônica, doce e azedo. Fiz um acordo. Um acordo fortificado por alguma coisa largada a esmo, ao caso, que passava por lá, distraidamente carregando suas cores. Um acordo do qual eu não me lembro, mas tenho certeza que não me permite muitos descasos. Não que eu esteja tentando esclarecer as coisas apenas pro meu bem estar, mas é que tem certos perrengues que a gente não merece agüentar mais de uma vez. Muito menos uma vida inteira. E o que seria uma vida inteira perto de cindo minutos sem dúvidas? Nada. Nada e nada. Cinco minutos... É o tempo que tenho até um zunido crucificante vir me torturar. Uma vida inteira, talvez até duas, é o tempo que tenho para agüentar. Ou pelo o menos, fingir que sou capaz de tamanha proeza. Talvez sejam eles pequenos demais, e não eu consciente demais. Ou talvez não tenhamos nada demais. Mas que mediocridade não? Quanta futilidade em excesso, quanto fanatismo erroneamente direcionado. Quantas palavras desconhecidas pra um dicionário tão pequeno. Digo, palavras de valor. Um pouquinho mais de esforço, por favor, e uma pitada de bom senso. Ah, agora sim... Saboroso. Isso me parece doentio às vezes. Mas é disso que eu estou falando, e digamos que um grande número em massa não está entendendo.

?



São vontades que vem sem pressa de ir embora, 
é cada coisa louca que me atormenta, caso sério de distúrbio. 
Mas como são lindos esses pontos de interrogação.

segunda-feira, 23 de julho de 2012


Tenho desfrutado exageradamente da minha companhia, e tentadoramente estou gostando disso. Deve ser a resposta para minha vontade de ficar sozinha, mas não querer me sentir sozinha. Às vezes até consigo vislumbrar-me sentada ao longe, possuindo muitas coisas. Sabe, de alguma maneira, sei que estou lá. Tão longe quanto se pode imaginar. E tão distante, posso sentir o calor dos olhos arregalados e despertos, vigiando-me com tamanha sinceridade. Crua. Cruelmente. As imagens de vidros sendo quebrados passam-me voando aos olhos. Vidros que são quebrados por curtos dedos que conheço bem. Até parecem serem meus... Creio que é porque sejam meus!


" Pode parecer loucura, mas acho que não quero chegar há lugar algum. Digo, não quero parar, só quero andar, sem ponto de partida ou chegada, ir até onde der, pintando o caminho conforme ele acaba, tentar alguns limites sabe?  "

"Que a noite traga alívio imediato."


Estou tendo uma "certeza". Não sei bem do que, mas que importância isso tem perto do alívio que estou me permitindo agora?

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Tenho pressa de ouvir novas pessoas falando de novas cores, novos amores, novos lugares, novas dores. Preciso lidar melhor com o fato de “mudar os atos”. Tenho uma mala cheia de amontoados passados, todos amassados. Mas também tem aquela música nova que eu ando ouvindo bastante, sabe, coisas deste século. Não passo mais correndo por perjúrios, tenho vontade de derrubá-los agora. Deve ser um bom começo né? Se não for um bom começo, será um doce fim.

Carta.



Deixa eu dizer coisas que a muito tempo não digo, mostrar o que congelei dentro de mim, derreter tudo, me derreter junto. Deixa eu levar as coisas pesadas pra algum lugar vazio, abandonado. Vou tentar trazer de volta aquelas noites que não dão mais as caras, trazer a tona tudo o que parecia ter sumido de vez, e tomar um susto de boca aberta ao ver tudo ali de novo. Vou dar todos meus conselhos de calçada, vou dar TODOS, já que não uso mesmo. Desentalar a garganta, desemperrar a porta, enferrujar o cadeado. Eu deixo tudo sempre aberto, e quando fecho, o que entrou não sai mais. Vou ouvir por seguidas vezes, a tarde inteira o trecho daquela música que diz “Oh, Life is bigger. It’s bigger than you and you are not me.” Vou acreditar nela, acreditar fielmente, com a minha fé que ninguém acolhe, minha fé que não é ensinada nem prescrita, é só sentida, e sentida só por mim. E ela bonita, é forte, é de verdade e não é cabível em livros. Vou encerrar todos meus diálogos sem pontos, não vou limitar, nem expandir, vou deixar fluir, apenas. 

"Ser a capa, mas ser a contra capa."


Em uma madrugada qualquer, sinto meu mundo se esvair. Desce rolando pelos dias, pelas horas macabramente lentas, rastejantes, arrastando junto à cor escarlate que eu criei e, com toda sinceridade, cheguei até dar um nome a ela. Que ingratidão tem esse calendário! Tão ingrato com minhas criações, com meus anseios. Tão distante de uma divindade humana. De janela aberta também vejo a ingratidão do por do sol. Este vai embora com meus acalentos e com ingênua ousadia aqui me deixa, despida, desarmada. Depois amanheço nostálgica e ainda despretensiosamente me pergunto o porquê. De olhares escravos ao pudor já estou farta. Quero respostas cruas, do tipo em que se da a cara a tapa botando-as para fora. Queria uma coragem, mesmo incerta. Seletamente me envolvo com seres falantes, nem sempre pensantes. De boa vontade, apalpo qualquer coisa que não seja concreta, só pra me contradizer. Privo-me desse masoquismo são. De qualquer jeito, eu tenho que me sobrepor. Nem que seja me sobrepor a MIM! Vejam a mim! Dispam-se de injúrias. Façam promessas curtas que serão cumpridas com a mesma rapidez com que foram feitas. Está aí a beleza da contradição. Dizer E fazer!

Em demasia.


O cansaço se instala em cada mínimo ponto do meu corpo, torna-se hospedeiro. Na companhia dele me pergunto que sacrifício é esse, tão esplendido que tenho que me entregar profundamente sem medo. Todas as janelas refletem luz, mas nenhuma reflete meus segredos, esses que guardo por gratidão. Gratidão a mim mesma. Arrebatador o som que ouço saindo daqui de dentro. Sou capaz de senti-lo, mas não de dizê-lo. Me parece medonho, febril. As estrelas pingam uma a uma, como se caíssem de um conta gotas. Quero o céu límpido, pra poder enxergar o que meus delírios crêem, e não o que meus olhos vêem.  De qualquer distância insisto ser o que não devo. Perto, longe, ou mesmo aqui onde estou (onde estou?), o mundo me chega a cavalgadas, rápido, barulhento e feroz, vivido como o sangue que escorre de uma ferida cutucada. Talvez seja isso: não deveria ser sangue, não deveria estrela, não deveria ser corpo cansado, não deveria ser janela, muito menos ser nada. Deveria ser apenas EU!

Same old fears.


É breve, muito breve. Quase da pra ver o tempo correndo, de patas ligeiras e olhares longínquos. E ao meio-dia da minha vida, alguma coisa necessita mutuamente de atenção e a atenção requer silêncio, e o silêncio é escasso.  Em meio a tanta falta, mesmo falta essa que ainda nem se sentiu, o princípio prevalece límpido, ou os olhos permanecem abertos e céticos? É quase tão momentâneo quanto soltar os cabelos ao vento e sentir cheiro de gente se espelhando por aí.  O que invento, aqui, agora, busca um limite implacável de algo tão cruelmente esquecido em rastros, como um erro extra vulgar, que, no entanto, foi apenas mal compreendido. Já as corajosas farfallas rasgam sedas e alçam vôo com perfeição, como se fizessem isso desde que o primeiro jato de luz caiu de algum infinito distinto. E distinguir, ao contrário de sentir, é questão de conceito, e imaginar como tudo sorrateiramente se encaixa em qualquer reta paralela ou não, é obrigação.

Losing my religion!


Fé, solúvel, pó que se dissolve em águas turvas, te agarra pelas pernas, elas que seriam seu único apoio ainda em pé.
Engolir os anseios antes que eles o engula.
Parece simples... E É!


"Então era assim que ele se sentia: espelho, ele, ele e o espelho.
Mas tinha alguma coisa nesse curto intervalo entre as duas presenças, uma fria e uma cheia de vida, porém fria também, tanto quanto a primeira. Mas ia além, ia sim. Alguma coisa havia acontecido em algum instante que passou despercebido pelo piscar daqueles olhos. Quase como obrigação, agora só falava e escrevia no singular, nunca mais do que um “eu”. Ia levando assim seus dias, carregados naquela carroça que ele chamava de alma, aquela coisa lenta, sem reação. Agora, se tinha vontade de gritar, gritava, se tinha vontade de chorar, chorava, se queria se mostrar, se mostrava, mas tudo dentro dele. Tão profundamente dentro dele, que às vezes nem ele enxergava."

sábado, 21 de julho de 2012


‎"Quando andamos sob folhas caídas, nos chãos pisados e marcados por diversas vidas, vindas de todos os cantos, mal percebemos que pisamos no tempo passado e em histórias inestimáveis."

quinta-feira, 5 de julho de 2012


É assim: viajamos eternamente dentro de um trem, por trilhos gastos e quase já inexistentes, onde o trem balança e chacoalha a gente, chacolha e mistura tudo o que temos por dentro, nos tira tudo do lugar. Passamos a sentir medo na cabeça e fome no coração, e passamos então a procurar e a perceber coisas. Percebemos que em nenhuma busca, por mais longa que seja, não encontraremos nada que amenize o medo e sacie a fome. Passaremos a viagem toda sem perceber a paisagem indo embora e sem perceber as mudanças sofridas, principalmente dentro de nós. Procuraremos dentro do trem, somente dentro do trem, pra então, ao fim de tudo, darmos de cara com nós mesmo e descobrir que eramos exatamente o que nos faltava: Nos conhecer, nos achar, nos aceitar. E só então, tarde demais, descobriremos que somos tão grandes a ponto de não cabernos por inteiro em nós mesmos, e descobriremos que podiamos ter nos doado sem medo de nos desgastar.