sexta-feira, 4 de maio de 2012

Pessoa.



Tomei um gole de vinho, vesti um casaco e sai na sacada. As luzes estavam mais fortes, e os carros corriam mais rápido. Quarta-feira, 22:47h. Pensei em terminar de ler o "Livro do Desassossego", mas, não tive coragem, ele é todinho triste e eu já estava deprê o suficiente para aquela noite. No rádio tocava um pouco de Mozart, só pra variar meu repertório. Fiquei olhando aquelas vidas irem e virem embaixo de mim. Algumas sorriam, outras bebiam, mas a maioria apenas andava, sem ao menos almejar uma vida. Senti saudades de uma amiga que estava distante. Quis conversar com meu ego, só pra ver se conseguia botar ele pra cima, só um pouquinho que fosse. Olhei no espelho, cara de quem não dormia direito já há um bom tempo. E só naquela noite eu deixei de tomar minha xícara de café. O vinho me deixava entorpecida e sonolenta. Deitei, dormi e sonhei com o maldito livro do Desassossego. Isso porque passei minha noite toda tentando me livrar do maldito excesso de conciência que ele me causava.

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